Noções gerais sobre anatomia, fisiopatologia e técnicas cirúrgicas da herniorrafia inguinal
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20332194Palavras-chave:
Hérnia inguinal, Hernioplastia, Lichtenstein, TAPP, TEPResumo
A hérnia inguinal corresponde à forma mais frequente de hérnia da parede abdominal, caracterizando-se pela protrusão de estruturas intra-abdominais através de defeitos localizados na região do canal inguinal. Sua formação apresenta etiologia multifatorial, envolvendo enfraquecimento da fáscia transversalis, alterações no metabolismo do colágeno e fatores associados ao aumento crônico da pressão intra-abdominal. O presente estudo teve como objetivo revisar os principais aspectos anatômicos, fisiopatológicos e técnico-cirúrgicos relacionados ao reparo da hérnia inguinal. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio de busca nas bases de dados PubMed, BVS e SciELO, utilizando descritores relacionados à hérnia inguinal, anatomia do canal inguinal, fisiopatologia herniária e técnicas cirúrgicas abertas e laparoscópicas. Foram incluídos artigos científicos, revisões sistemáticas, meta-análises, diretrizes internacionais e livros-texto publicados em português, inglês e espanhol. As hérnias diretas relacionam-se principalmente ao enfraquecimento da parede posterior do canal inguinal, especialmente da fáscia transversalis, enquanto as hérnias indiretas associam-se à persistência do processo peritoniovaginal e à passagem do saco herniário através do anel inguinal profundo. Alterações na proporção entre colágeno tipo I e tipo III e a superexpressão de metaloproteinases de matriz contribuem para a redução da resistência da parede abdominal. As hérnias inguinais classificam-se principalmente em indiretas, diretas e recidivadas, apresentando diferenças anatômicas e implicações cirúrgicas específicas. Entre as técnicas de reparo, a hernioplastia aberta de Lichtenstein baseia-se na colocação de tela de polipropileno sobre a parede posterior do canal inguinal por via anterior, mantendo ampla utilização devido à sua reprodutibilidade técnica, menor custo e possibilidade de realização sob anestesia local. Já as abordagens laparoscópicas TAPP e TEP realizam o posicionamento da tela no espaço pré-peritoneal para cobertura do orifício miopectíneo, diferindo principalmente pela entrada ou não na cavidade peritoneal. As técnicas laparoscópicas apresentam menor dor pós-operatória imediata, recuperação funcional mais precoce e menor incidência de dor inguinal crônica, sobretudo em hérnias bilaterais e recidivadas. Em contrapartida, apresentam maior complexidade técnica, maior tempo operatório durante a curva inicial de aprendizado e maior dependência da experiência do cirurgião, principalmente na TEP. A escolha da técnica cirúrgica depende das características anatômicas da hérnia, das condições clínicas do paciente, da experiência da equipe cirúrgica e da disponibilidade de recursos institucionais.
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