Transtorno do Jogo pela Internet
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22096347Palavras-chave:
Transtorno do Jogo pela Internet, Jogos eletrônicos, Prevalência, Fatores de risco, Saúde mentalResumo
O Transtorno do Jogo pela Internet (Internet Gaming Disorder – IGD) caracteriza-se por um padrão persistente e recorrente de uso de jogos pela internet associado à dificuldade de controlar o comportamento de jogar e à ocorrência de prejuízos ou sofrimento na vida cotidiana. O presente estudo teve como objetivo sintetizar as evidências disponíveis sobre o IGD, com enfoque em sua definição, critérios diagnósticos, prevalência e principais fatores associados. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando os descritores “Internet Gaming Disorder” e “Video Games”, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos estudos disponíveis em texto completo, publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem diretamente o transtorno, seus critérios diagnósticos, prevalência e fatores associados. Os resultados demonstraram que o DSM-5 estabelece nove critérios para o IGD, sendo necessária a presença de pelo menos cinco durante um período de 12 meses: preocupação excessiva com os jogos; sintomas de abstinência após a redução ou interrupção da atividade; necessidade de aumentar o envolvimento com os jogos para alcançar o mesmo nível de satisfação, caracterizando tolerância; tentativas malsucedidas de controlar ou reduzir o comportamento; perda de interesse por outras atividades; continuidade do jogo apesar da ocorrência de problemas; ocultação ou redução da informação sobre o tempo dedicado aos jogos; utilização da atividade para lidar com estados de humor negativos; e ocorrência de prejuízos ou perdas em relacionamentos, estudos ou trabalho. A CID-11, por sua vez, caracteriza o transtorno pela perda de controle sobre o comportamento de jogar, pelo aumento da prioridade atribuída aos jogos, pela manutenção da atividade apesar das consequências negativas e pelo prejuízo no funcionamento cotidiano. As estimativas de prevalência variaram conforme a população, os instrumentos de avaliação e os critérios diagnósticos empregados, com estimativas mundiais de 3,05% e 2,47%. Entre os fatores associados ao IGD destacaram-se impulsividade, baixo autocontrole, sintomas depressivos, ansiedade, solidão, ansiedade social, alterações da qualidade do sono e baixa autoestima, além de menor coesão familiar, maior frequência de conflitos, monitoramento parental e regras relacionadas ao uso dos jogos. Também foram identificadas associações com maior tempo dedicado aos jogos e características como sistemas de recompensa, progressão contínua, competição e interação social.
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