O Humanismo Tropical na Obra de Jorge Amado: mestiçagem, diversidade e inclusão no romance amadiano
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23377961Palavras-chave:
Jorge Amado. Humanismo tropical. Mestiçagem. Literatura brasileira. Regionalismo baiano.Resumo
Este artigo examina a obra do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001) a partir da hipótese interpretativa de um “humanismo tropical”: um projeto literário que, partindo do romance social e da denúncia das desigualdades no ciclo do cacau, desloca-se progressivamente para uma celebração afirmativa da vida popular, da mestiçagem racial e cultural e do sincretismo religioso afro-baiano. Revisitando a fortuna crítica consolidada sobre o autor — em especial os estudos de Alfredo Bosi, Eduardo de Assis Duarte e Ilana Seltzer Goldstein —, o trabalho argumenta que a passagem entre as chamadas duas fases da ficção amadiana (a “literatura proletária” dos anos 1930-1940 e o lirismo mestiço inaugurado por Gabriela, Cravo e Canela, de 1958) não representa uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo compromisso humanista com os sujeitos populares da Bahia. Discute-se ainda, a partir dos Estudos da Deficiência e da crítica queer, os limites desiguais desse humanismo diante do corpo com deficiência e da dissidência sexual. Conclui-se que o humanismo tropical de Jorge Amado consiste numa poética da corporeidade, da oralidade e da diversidade étnico-religiosa que projetou, nacional e internacionalmente, uma imagem específica — e não isenta de controvérsias — de brasilidade mestiça.
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