Percepções femininas durante a coleta do exame citopatológico de papanicolau diante do profissional masculino
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.19562008Palavras-chave:
Enfermagem, Exame citopatológico, Saúde da mulher, Identidade de gêneroResumo
O câncer do colo do útero representa um grave problema de saúde pública, sendo uma das principais causas de morte feminina na América Latina. Como estratégia de enfrentamento, o exame citopatológico (Papanicolau) é a ferramenta primordial para a detecção precoce de lesões precursoras. No entanto, a adesão a este procedimento é frequentemente comprometida por barreiras socioeconômicas e, sobretudo, por componentes emocionais e culturais. O objetivo deste estudo foi analisar as percepções e sentimentos das mulheres durante a coleta do exame quando realizada por um profissional enfermeiro do gênero masculino. Metodologicamente, trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo, abrangendo publicações entre 2019 e 2025 consultadas em bases como SCIELO, LILACS e BDENF. Os resultados indicam que sentimentos de medo, vergonha e vulnerabilidade são intensificados pela presença do examinador masculino, evidenciando uma resistência ancorada em tabus sobre a intimidade e o corpo. Conclui-se que a competência técnica isolada é insuficiente para garantir a adesão; é imprescindível que o enfermeiro desenvolva uma "escuta sensível" e práticas de humanização que estabeleçam vínculos de confiança. A desmedicalização do atendimento e o respeito à autonomia feminina surgem como caminhos essenciais para mitigar o absenteísmo e elevar a eficácia do rastreamento oncológico na Atenção Primária, garantindo um cuidado integral e digno à saúde da mulher.
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